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	<title>Vivendo  e  Caetaneando</title>
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		<title>Vivendo  e  Caetaneando</title>
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		<title>O que fazer quando, simplesmente, não dá mais?</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 14:18:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
				<category><![CDATA[Militância]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu gostaria muito de escrever um texto racional neste momento. Usar estatísticas, argumentos bem construídos, frases marcantes. Queria mesmo ser um acadêmico. Não consigo. Não enxergo as razões para que isso tenha acontecido; não sei explicar porque o mundo ainda não se explodiu. Creio mesmo que só isso resolveria as coisas. Não dá: é todo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=364&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><img class=" " src="http://farm2.staticflickr.com/1211/1280482348_77c1fd99e2_z.jpg" alt="" width="448" height="336" /><p class="wp-caption-text">E ficamos como um amontoado de papéis rasgados...</p></div>
</div>
<p>Eu gostaria muito de escrever um texto racional neste momento. Usar estatísticas, argumentos bem construídos, frases marcantes. Queria mesmo ser um acadêmico. Não consigo. Não enxergo as razões para que isso tenha acontecido; não sei explicar porque o mundo ainda não se explodiu. Creio mesmo que só isso resolveria as coisas. Não dá: é todo dia; a cada dia, uma notícia nova, mas que de tão corriqueira parece nem chocar mais. Eu continuo chocando-me. Transtorno-me.</p>
<p>Estou falando do caso de estupro ocorrido em Queimadas-PB. Várias mulheres foram oferecidas como &#8216;presente de aniversário&#8217;. Seus corpos foram oferecidos; seus corpos, seu sexo, sua autonomia, seus desejos, suas vontades, suas fantasias, suas limitações: eram esses os presentes. Como pode alguém achar que o corpo do outro é um presente? Aliás, permita-me uma correção: o corpo da outra. Talvez, pareça tácito, mas acho que é bom deixar claro que eram homens oferecendo o corpo de mulheres a outros homens. Na verdade, não sei se eu os categorizaria enquanto homens. Bom, talvez eles os sejam, mas, aí, se isso é que é ser homem, eu não quero mais ser um.</p>
<p>A opressão sobre as mulheres é estrutural, não tenho a menor dúvida sobre isso. Já está edificada sobre tantas crenças e preconceitos que alguém chega mesmo a pensar que pode dar mulheres como presente. Alguém realmente deu essas mulheres como presente. O que se passa na cabeça de uma pessoa pra achar que tem esse poder, pra achar que pode fazer isso e para, de fato, fazê-lo? Eu, que tendo a achar que é tudo construção social, só consigo me perguntar: quando foi que a humanidade quebrou? Dá pra trocar essa peça defeituosa, ou só jogando mesmo tudo fora e começando de novo? Eventualmente, vale mais a pena jogar fora e nunca mais começar outra.</p>
<p>Minha capacidade de compreender este caso é nula. Não entra na cabeça, não faz sentido. Mesmo que me expliquem que nossa sociedade é machista, patriarcal e opressora, eu continuo sem entender como chegamos até aqui. Alguém queria um atalho, errou o caminho e ficou com preguiça de voltar? Deve haver uma explicação, deve haver uma explicação lógica, racional, coerente. Não consigo parar de pensar, ao mesmo tempo que, quanto mais eu penso, menos encontro respostas, menos enxergo a racionalidade, a lógica que procuro insistentemente. Eu sei que nunca encontrarei, mas é a minha tentativa de encontrar motivos para continuar acreditando que o mundo ainda pode melhorar, que ainda dá pra mudar.</p>
<p>Estou pensando em me mudar. Vou morar em Marte. Dizem que os alienígenas são mais evoluídos e coisa e tal; lá deve ser um lugar muito mais agradável. Alguém tem casa de praia por lá? Aceito convites.</p>
<p>É, eu sei que este texto não informa muita coisa, não provoca grandes reflexões&#8230;eu só não sei mesmo o que dizer. Estou estático. Não sei se me indigno e me esforço mais pra transformar as coisas ou se desisto de uma vez por todas deste mundo, ou melhor, dos habitantes deste mundo. Se alguém souber o que fazer, como se portar, como resolver, como não surtar, por favor, ensine-me!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/364/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/364/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/364/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=364&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O mundo é um moinho; eu, labirinto</title>
		<link>http://mcaetanoz.wordpress.com/2012/02/01/o-mundo-e-um-moinho-eu-labirinto/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 20:33:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
				<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[doença]]></category>
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		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>

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		<description><![CDATA[Olho fixamente para a parede branca. Não tão branca assim; encardida, eu diria. Já faz alguns anos desde sua última pintura e muitas marcas ali se acumularam. Marcas das mais diversas: de luta, sangue, dor. Dificilmente, de alegria, riso ou felicidade. Duvido mesmo. Estico o pescoço. Muitas camas ao meu lado. Camas vazias, camas ocupadas. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=357&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olho fixamente para a parede branca. Não tão branca assim; encardida, eu diria. Já faz alguns anos desde sua última pintura e muitas marcas ali se acumularam. Marcas das mais diversas: de luta, sangue, dor. Dificilmente, de alegria, riso ou felicidade. Duvido mesmo. Estico o pescoço. Muitas camas ao meu lado. Camas vazias, camas ocupadas. Algumas com corpos em cima, mas, ainda assim, vazias. É só um corpo mesmo, não há mais nada ali dentro. Sugaram.</p>
<p>No meio da noite, é tudo escuro. Ao menos, isto é o que você esperaria. As luzes do corredor permanecem acesas indefinidamente. Sempre; sempre mesmo, com sol, chuva ou casamento de viúva. Os passos são arrastados. Escuto os chinelos comprimindo-se contra o duro e cinza concreto. Vocês chamam de chão; eu chamo de paraquedas. Para as quedas. Não as quedas ao chão: essas são fáceis, sem problemas, acontecem. Evita a queda no nada, no perdido mundo do eu-não-sou-mais-nada. Não sei se reverencio ou repudio aquele cinza concreto.</p>
<p>Nos pés, correntes. Não, eu não estou vendo correntes, não estou em franco delírio, relaxe. São as correntes simbólicas, as correntes de quem está ali há 2 dias, 3 semanas, 1 mês, 5 anos. E a gente sabe, sabe mesmo que não vai sair. De repente, a gente até sai. Contudo, enquanto está ali, a gente sabe que não vai sair. E não sai mesmo. Você pode alegar que eu saí. “Não!”, eu lhe direi prontamente. Alguém saiu, mas não era eu. Eu fiquei lá, ainda estou lá, é lá que sempre vou estar.</p>
<p>Escrever este texto, mais de 01 ano depois, é suficiente para entender que, uma vez lá, para todo o sempre lá. Eu posso mudar de vida, respirar, dançar, viajar, perder-me, amar. Mas é alguém que faz tudo isso, não sou mais eu. Eu fiquei lá, e preso estou. Restam de mim ainda alguns pedaços, uma parede cheia de quadros dadaístas que me levam a crer, mas nunca a realmente saber, que um dia eu já fui eu.</p>
<p>Dia distante este. Ficou no passado. Foi embora há muito tempo. Foi como aquela mão que desenhamos na janela embaçada, mas logo se desfaz…ao sabor do vento, ao prazer da água. É, é isso mesmo que eu virei: uma mão na janela embaçada. E é só uma mão, porque é só uma parte. Não sei onde ficou o resto. Aliás, não ficou, não restou. Este monte de pedaços aqui, costurados em retalhos, panos amassados, é uma outra coisa qualquer. Não sei que nome dar. Sei que você precisaria de um nome para compreender melhor, mas não sei mesmo que nome dar.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img src="http://farm1.staticflickr.com/69/199446561_c5fe2b85b9.jpg" alt="" width="500" height="333" /><p class="wp-caption-text">Eu, labirinto / Por Arek Krupińsk</p></div>
<p>Labirinto. É, é isso: labirinto. Eu sei que nunca fui assim, do tipo linha reta. O problema é que agora eu sou caminho sem volta, saída sem porta, janela sem buraco, espelho sem reflexo. Nem eu me vejo. Eu só sinto. Eu só “latento”. Diga-me se isso é bom. Não, não me diga. Já perdi demais por dar ouvidos a você. Se tivesse levado em conta, tomado como realidade aquilo que eu mesmo falava, e aquilo que só eu escutava, eu não estaria aqui agora. No aqui-agora-buraco, eu não estaria.</p>
<p>Esse negócio de sentir dá muito trabalho. Sentir demais dói, machuca. A tolerância pra dor é grande, mas a cicatriz fica. Eu tenho problema de quelóide. Ninguém nunca me deu o diagnóstico, mas dá pra ver. Caminho-labirinto: é esse o passo que eu sigo. Porque acompanhar tudo que acontece à minha volta é difícil demais. Eu leio a partitura, mas só me resta mudar o compasso. Se assim não fosse, minha música já teria parado de tocar há tempos.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://mcaetanoz.wordpress.com/2012/02/01/o-mundo-e-um-moinho-eu-labirinto/"><img src="http://img.youtube.com/vi/pRntuhzWW5k/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/357/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=357&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eu não quero mais viver neste mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 12:21:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
				<category><![CDATA[BBB estupro homem violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu passei o domingo inteiro dormindo (sim, eu tenho a habilidade de dormir seguidamente por 24h, ou mais). Quando acordo, um pouco antes de ir para a aula, abro rapidamente o facebook e deparo-me com vários comentários sobre um estupro no BBB. Esfreguei meus olhos e arrumei os óculos; era óbvio que eu estava lendo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=340&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu passei o domingo inteiro dormindo (sim, eu tenho a habilidade de dormir seguidamente por 24h, ou mais). Quando acordo, um pouco antes de ir para a aula, abro rapidamente o facebook e deparo-me com vários comentários sobre um estupro no BBB. Esfreguei meus olhos e arrumei os óculos; era óbvio que eu estava lendo errado, aquilo não fazia o menor sentido. Detive-me às notícias com maior cuidado: havia links para vídeos, posts em blogs variados. Parecia que era mesmo verdade; continuava sem fazer sentido algum, mas era verdade.</p>
<p>Uma das gurias ficou bêbada na festa e os vídeos mostravam ela desacordada enquanto um homem fazia movimentos que simulavam uma relação sexual. Digo simulavam porque eles estavam cobertos e não era possível ver claramente se ele a penetrava. Quando ela mexeu um braço, ele parou. Parecia, também, olhar meio desconfiado para os lados, como se estivesse atento às movimentações exteriores. A menina estava desacordada, era claro. Não era possível ver se o rapaz a penetrava, mas percebe-se que seus movimentos eram todos com intenções sexuais.</p>
<p>Se ele a penetrou, não importa tanto assim. Creio que seja simbolicamente importante para aquela que foi violada. Mas, para definir se houve um crime ou não, se foi realmente um estupro ou não, não faz grandes diferenças. Ela foi abusada da mesma forma, foi violentada enquanto estava desacordada, inconsciente. E isto foi televisionado, testemunhado por milhares de pessoas. Ninguém vai fazer nada, efetivamente, sobre o ocorrido? Já correm as notícias sobre o Boninho defendendo-se. Ele não quer colocar seu programa em risco. A Globo é uma emissora grande, não pode sair prejudicada. Mas compactuar com este tipo de crime pode, né?!</p>
<p>Monique diz não se lembrar. Não se lembrar é muito diferente de não ter sido estuprada. Não foi isso que ela disse. Inclusive, as coisas que ela falou me fazem realmente acreditar que ela foi violentada. Não se lembra de nada: de ter estado na cama com o rapaz, de ter sido acariciada, do corpo dele sobre o dela. Estava bêbada e o álcool nos faz mesmo esquecer das coisas; estava bêbada e inconsciente, tornou-se um alvo fácil para aquele que, na sua posição de homem, considera-se superior, aquele que acha que tem direito sobre o corpo das outras, especialmente quando esta outra bebe, quando esta outra &#8220;não se dá ao respeito&#8221;.</p>
<p>Não assito ao programa, não posso dizer o quanto ela bebeu, se passou a noite inteira paquerando-o, se estava com uma roupa minúscula. Na verdade, nada disso me interessa. Beber, andar sozinha de madrugada, usar um &#8216;pedaço de pano no lugar da saia&#8217;: nada disso nunca será desculpa para ser estuprada; NUNCA! A culpa não é dela. Continuo a não me interessar em saber o quanto ela bebeu e que roupa vestia. Quem praticou o crime foi ele, o que faz dele o culpado, não é ela; JAMAIS.</p>
<p>Talvez, a culpa também seja um pouco da sociedade, que continua a ensinar as meninas a como se comportarem para não serem estupradas; que tipo de roupa vestir e por onde andar. Esquecemos de ensinar os homens que o corpo das mulheres é só delas, que não significa sempre não, que uma mulher embriagada, nua ou sei lá como não é um convite para uma noite de sexo fácil. Não é sempre não! E nem venham me dizer que ela não se opôs: não estava em condições de oferecer qualquer resistência e isso, talvez, faça dele uma pessoa ainda pior, mas, em momento algum, coloca um tantinho que seja de culpa sobre ela.</p>
<p>Dizem que a revolução não será televisionada. Eu até acredito, mas jamais achei que um estupro seria. Não duvido de mais nada nessa vida. Acho mesmo que não quero viver em um mundo como esse. Estupro em rede nacional: todo mundo viu, as provas correm o mundo, ao alcance de qualquer um, mas o sujeito continua lá, livre, leve e solto, enquanto, do lado de cá, procuram argumentos para diminuir a culpa do rapaz, para provar que ela deixou. Eu não quero viver mais neste mundo, mas continuo aqui porque o que não quero mesmo é que este mundo continue assim.</p>
<p><a href="http://mcaetanoz.files.wordpress.com/2012/01/rape1.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-348" title="rape" src="http://mcaetanoz.files.wordpress.com/2012/01/rape1.png?w=645&#038;h=313" alt="" width="645" height="313" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/340/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/340/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/340/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=340&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eu finjo ter paciência</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 13:23:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gostaria, muito, que este texto fosse um manual de como sobreviver às festas de fim de ano quando não se tem nada, nem ninguém. No entanto, enquanto pensava no que escrever, só pude concluir que mais do que ensinar como se faz isso, eu quero é aprender. Não ligo muito pra Natal. Não acredito em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=327&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://mcaetanoz.wordpress.com/2011/12/26/eu-finjo-ter-paciencia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/je-RTYbzoEk/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Gostaria, muito, que este texto fosse um manual de como sobreviver às festas de fim de ano quando não se tem nada, nem ninguém. No entanto, enquanto pensava no que escrever, só pude concluir que mais do que ensinar como se faz isso, eu quero é aprender.</p>
<p style="text-align:justify;">Não ligo muito pra Natal. Não acredito em Deus, não vejo como um momento religioso, não espero presentes. Não fico ansiando pelo momento de encontrar a família, aliás, estou no processo de assimilação do fato: não tenho família. Já sei disso há algum tempo, mas admitir, assim, na lata, é difícil pra todo mundo. Todo mundo reclama da sua, briga, discorda, às vezes quer distância, mas, garanto a vocês, é complicado se ver sem família, e muito mais complicado torna-se quando não há nada ao que se prender.</p>
<p style="text-align:justify;">Estive com meus amigos, foram momentos bons. Ao final do dia, eles voltam pra casa, para suas famílias. Ainda que elas não sejam perfeitas, sejam complicadas, difíceis, chatas, eles têm pra onde voltar. Eu, quando vou embora, só vou, não volto. É triste ir, e nunca voltar, não ter pra onde voltar. Não ser esperado, não ser aguardado, ansiado, só produz repulsa ao viver. De que adianta viver quando não há por quem morrer? Eu sei, talvez pareça dramático. Entenda: é só o lirismo da coisa, mas contém em si toda a verdade da vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha loucura insiste em fingir que tudo é normal. Minhas expectativas são produto de uma construção social que diz como devemos ser, o que devemos fazer e até mesmo com o que devemos sonhar. Realmente, é tudo construção. Mesmo assim, diante dos fatos e das situações, sinto-me deslocado. Não quero fazer parte desse mundo maluco e vazio, mas não fazer parte de nada só serve pra me deixar ainda mais maluco. Olhando pela janela, um cigarro aceso, eu olho e não vejo; mas é isso mesmo: não há nada nem ninguém. Eu já sabia, mas perceber sempre dói mais do que fingir entender.</p>
<p style="text-align:justify;">A solidão se faz presente. Talvez, eu não esteja tão só assim. A angústia e a saudade são companheiras, nunca me abandonam. Ficam até o fim da festa, ajudam a juntar os cacos, uma vez que são elas mesmas as maiores culpadas por haver tanta coisa quebrada. Não há lágrimas caindo, meu choro é mais doce, é vermelho. Em meio a tantas contingências, só posso dizer que não aceito qualquer eventual lamento seu. A dor é sua, pode senti-la, mas vá senti-la longe daqui, bem distante de mim.</p>
<p style="text-align:justify;">Em meio a tantas pessoas, com tanta gente; somos 6 bilhões de pessoas, e eu ainda consigo reclamar da solidão. Seria irônico, poderia ser triste, mas eu (finjo que) sei que é só uma banalidade. Fato é que o Sol nasce todo dia; fato é que a vida é mesmo tão vazia. E nessa correnteza que caminha e nunca corre, eu só sigo e nunca sou.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/327/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/327/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/327/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=327&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O pulso ainda pulsa (?)</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Dec 2011 07:24:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[metáfora]]></category>
		<category><![CDATA[relato]]></category>

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		<description><![CDATA[Não fazia o menor sentido, ele sabia. Talvez, o erro, em si, já fosse esta mesma busca incessante por sentido. Seu cérebro, funcionando a partir dos pressupostos cartesianos, precisava encontrar respostas para tudo; a origem das coisas se fazia necessária. Não entendia como compreender sem saber de onde veio. Mas, naquela situação, teve mesmo que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=322&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" title="Luz" src="http://www.deviantart.com/download/173836939/Follow_The_Light_by_Eredel.jpg" alt="" width="600" height="320" /></p>
<p style="text-align:justify;">Não fazia o menor sentido, ele sabia. Talvez, o erro, em si, já fosse esta mesma busca incessante por sentido. Seu cérebro, funcionando a partir dos pressupostos cartesianos, precisava encontrar respostas para tudo; a origem das coisas se fazia necessária. Não entendia como compreender sem saber de onde veio. Mas, naquela situação, teve mesmo que admitir que não fazia sentido.</p>
<p style="text-align:justify;">Era madrugada. O lugar era grande, mas o silêncio também. Ao fundo, o barulho de um ventilador, apenas como a rotina de mantê-lo ligado; era um barulho que já não fazia diferença, que podia ser facilmente ignorado. Uma pena não poder dizer o mesmo sobre o barulho daqueles gritos. Seu cérebro nunca silenciava. Insistia em repetir, interminavelmente, as lembranças daqueles minutos, que depois tornaram-se horas, dias, semanas e meses, de desespero.</p>
<p style="text-align:justify;">Eram muitas pessoas gritando. Elas pareciam não se cansar. Gritar era a única coisa que faziam. Desconfio, inclusive, que era a única coisa que podiam fazer. O que você faria se não enxergasse mais solução? Definharia, quieto, calmo? Ou entregaria-se à plenitude dos sentidos, gritando até, eventualmente, seus pulmões explodirem? Acho que a calmaria não seria, nem será, uma opção. Só restava gritar; quem é que as culparia?</p>
<p style="text-align:justify;">Eu queria fazer o mesmo, mas estava tão assutado que o grito não saía. Sentia aquela pressão em meus tímpanos, a vibração das minhas cordas vocais, mas o grito me vencia. Eu não conseguia, até pra ele eu perdia. Um pouco depois, a gritaria virou também ventilador. Contudo, como minha mente não sabia parar, restou-me o ranger dos dentes. Eu escutava, nitidamente, meus dentes baterem, como se pedissem, desesperadamente, para serem arrancados. Nem eles aguentavam, também queriam fugir.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora, depois de fugir, sair, ser libertado ou qualquer outra coisa que o valha, eu continuo a ouvir o mesmo barulho do ventilador. Não deixo, também, de escutar os gritos, embora ao meu lado ninguém grite. As cordas vocais não vibram mais, não há pressão nos tímpanos. Resta uma leve pulsação, e é só por causa dela que ainda desconfio que talvez eu não esteja mesmo morto. Bom, quem sabe o cérebro já tenha parado de funcionar e só me reste um coração a bater, mas sem nenhuma vida a alimentar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/322/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/322/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/322/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=322&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Luz</media:title>
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		<title>Dos espelhos</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Dec 2011 07:02:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[aparência]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[espelho]]></category>
		<category><![CDATA[imagem]]></category>
		<category><![CDATA[metáfora]]></category>
		<category><![CDATA[representação]]></category>

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		<description><![CDATA[Havia um garoto. Ele estava sempre tentando, e sempre tentado a fazer algo novo, ou mesmo deixar de ser tudo aquilo que já fora. Agora, já cansado, perguntava-se como haveriam de se passar os dias e se, porventura, alguém poderia abrir-lhe as portas; ou, tão somente, indicar-lhe as maçanetas e fechaduras. Tentava subir as escadas, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=315&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Havia um garoto. Ele estava sempre tentando, e sempre tentado a fazer algo novo, ou mesmo deixar de ser tudo aquilo que já fora. Agora, já cansado, perguntava-se como haveriam de se passar os dias e se, porventura, alguém poderia abrir-lhe as portas; ou, tão somente, indicar-lhe as maçanetas e fechaduras. Tentava subir as escadas, tentava beber água, tentava atravessar a rua. Algumas coisas ele até conseguia; a maioria, não. Demonstrava claramente suas fraquezas e impotências diante das contingências sociais. Não havia motivos ou razões para que as coisas fossem diferentes. Ele até queria que fossem, mas pensava mais em palavras do que em ações.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://nerdapproved.com/wp-content/uploads/2008/03/speculum-wall-mirror.jpg?cb5e28" alt="" width="334" height="371" /></p>
<p>Mas isso não vem ao caso. Aqui, é importante saber que ele era feio. Feio. Muito, muito feio. Não adianta dizer que beleza não existe, que não importa ou qualquer outra desculpa que usamos para não magoar nossos amigos feios. Sim, beleza é fundamental, já dizia o poeta. Ainda que não seja aquela beleza comprada, ou, digamos, manipulada, das capas de revista e das bancas de jornais. Ele não tinha nem aquela beleza da alma, aqueles atributos que distinguem-nos como especiais e agradáveis. Não dava para olhar para ele. Eu mesmo confesso: não conseguia encarar-lhe por mais de dois segundos. Olhar seus olhos era devastador, como se, a qualquer momento, seus cabelos bagunçados e seus pulsos cortados fossem pular sobre mim, atacar-me e, eventualmente, devorarem-me.</p>
<p>Seus medos, temores e aflições derivavam todos do fato de ser feio. E, pra piorar, sua melhor amiga era a garota mais bonita da cidade. Pior ainda: sua melhor amiga era uma amiga imaginária. Ele não tinha amigas. Tentava, e como tentava, mas quem é que ia querer ser amigo de um garoto tão feio? Tenho certeza que você não gostaria, sequer se atraveria. E não venha com falsas introspecções dizer-me que é fácil, dizer-me que não faria diferença. Faz, sim, eu sei que faz. E como faz! Ele mesmo sabia, e resignava-se a viver com o que tinha. Colhia só as migalhas que caíam. Restos que outros deixavam das sobras que restavam do que ficava sobrando no fim do dia. Indignar-se, solução não seria. O que era possível fazer quando se é a personificação do não-ser? Ele simplesmente admitia que toda aquela vida vazia era um mero resultado de tudo que não tinha; de tudo que tentou ser, mas não conseguia; de tudo que dizia que era, mas sabia não passar de uma conversa vazia, em todos os aspectos, não reconhecida.</p>
<p>Ele não vivia. Simplesmente suportava os dias. Acordava, caminhava até a escola naquela mesma postura corcunda de sempre. Caminhava até em casa naquela mesma postura corcunda de sempre e esperava até a hora de começar tudo outra vez, em um processo que se repetia, e ele sabia, repetiria-se por todos os outros dias de sua vida. Isso não era vida, e ele entendia, mas nada podia fazer se não estava ao seu alcance tornar-se tudo aquilo que sonhara ser e que todos alegavam nem saber.</p>
<p>Ele não aguentava mais. Sabia, mesmo que não soubesse, que de nada adiantaria continuar acordando se tudo que podia ser era só aquela cara borrada. A cara de um cara que não conseguia ser nada. Um belo dia, resolveu fazer uma revolução, revolução que assustaria até o maior dos comunistas. Levantou-se de sua cama bagunçada, andou calmamente naquela mesma postura corcunda de sempre até o banheiro e quebrou o espelho. Pronto. Problema resolvido.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/315/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/315/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/315/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=315&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eventualmente, maluquice</title>
		<link>http://mcaetanoz.wordpress.com/2011/12/09/eventualmente-maluquice/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 02:21:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
				<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<category><![CDATA[doença]]></category>
		<category><![CDATA[hospital]]></category>
		<category><![CDATA[relatos]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante o dia, nós não fazíamos absolutamente nada. Nossa vida girava em torno de comer, medicar-se e dormir. Havia horário para tudo, mas o tempo nunca era controlado por nós. Um aviso era dado e uma fila começava a se formar, para comer, tomar banho ou dirigir-se aos dormitórios. Apenas uma escolha nos era dada: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=300&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://farm2.static.flickr.com/1355/1298560236_430ba8f4e5.jpg" alt="" width="411" height="500" /></p>
<p>Durante o dia, nós não fazíamos absolutamente nada. Nossa vida girava em torno de comer, medicar-se e dormir. Havia horário para tudo, mas o tempo nunca era controlado por nós. Um aviso era dado e uma fila começava a se formar, para comer, tomar banho ou dirigir-se aos dormitórios. Apenas uma escolha nos era dada: se queríamos nos banhar às 14h ou às 16h; qualquer outro movimento era decidido pelas enfermeiras, e nós não éramos nunca consultados.</p>
<p>As histórias eram as mais diversas: uma alegava ter tido uma filha com um ator da Rede Globo; uma outra havia sido internada pela família por causa do abuso de cocaína. Uma delas, de quem me tornei mais próximo, contou-me que fez faculdade de direito, que a vida ia bem, mas após um divórcio difícil tudo ficou complicado e ela não deu conta de lidar com as pressões de uma família conservadora e da criação de duas filhas. Não consigo relembrar-me do seu nome, mas não esqueço-me das várias horas que conversamos, de como ríamos da loucura dos outros, como se nós mesmos estivéssemos plenamente sãos e saudáveis. Criamos uma redoma, que as enfermeiras costumavam chamar de quadrilha, na intenção de nos esquivarmo-nos daquele ar, aquele ar de loucura. Aquilo contaminava.</p>
<p>Eu já era fumante há algum tempo, mas não podíamos ter cigarros ali. Quando alguma das meninas saía para passar o final de semana em casa, sempre dava a volta no hospital e jogava uma carteira de cigarros no quintal. Eu me sentia em um daqueles filmes americanos sobre presidiários, onde não há dinheiro, as drogas são a moeda corrente. Vi outras drogas também serem usadas, mas uma das meninas foi pega fumando maconha e a levaram para um quarto isolado. Só a vimos depois de uma semana: estava muito mais magra, pálida, os olhos fundos e o olhar perdido, como se alguém tivesse sugado o pouco que ainda lhe restava de humanidade.</p>
<p>Também acho que nunca conseguirei esquecer a cena mais chocante de todas: entrei no banheiro logo pela manhã, para escovar os dentes, e vi uma mulher debruçada sobre o vaso. Achei que ela passava mal e dirigi-me a ela na tentativa de ajudar. Fiquei surpreso quando descobri que ela estava a comer as suas próprias fezes. As pessoas não costumam deixar nem os cachorros comerem isso, mas as enfermeiras não fizeram nada, disseram que esse era um hábito dela, que já haviam tentado impedir, mas ela sempre o repetia. Diziam o mesmo sobre aquela que vivia sempre tirando as suas roupas: “nós sempre a vestimos e ela retorna a despir-se! de que adianta ficar insistindo?”. No fim, éramos todos um caso perdido mesmo, de que adiantaria cuidar de nós?</p>
<p>Dei algumas risadas. Um rádio ficava sempre ligado no pátio e nós começávamos a dançar, de maneira totalmente aleatória. Era divertido. Eu sempre ria dos passos e movimentos que criavámos. Podia perceber o olhar das enfermeiras, como se dançar sem nenhum motivo aparente fosse a prova cabal de que não tínhamos mais jeito. O problema é que nós tínhamos motivo, elas é que não sabiam: era a única forma de suportar aquele lugar, fazer de conta que estavámos livres; naquele momento, éramos mesmo livres, podíamos decidir como mexer nossos braços, pernas ou cabeça. Era o único momento em que ainda tínhamos algum controle sobre os nossos corpos.</p>
<p>Não sei precisar quanto tempo passei ali, não sei mesmo. Os dias não podiam ser contados, não havia relógios, não havia informação. Tudo era medido pelo momento de tomar os remédios. Às vezes, eu não tinha idéia se era dia ou noite, só sabia que ainda faltavam alguns comprimidos. De qualquer forma, saí dali. Não inteiro, posto que tal feito ninguém ainda conseguiu, só saí. Se, de fato, sobrevivi, ainda não sei dizer. Tudo que sei é que escapei daquela caixa de concreto para adentrar outros labirintos, e sempre que deles quero sair a porta acaba por sumir.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/300/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=300&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nomeio, logo existo</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 11:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dia-a-dia]]></category>
		<category><![CDATA[amigos]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[nome social]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho reparado como tudo tem nome. Eu sei que provavelmente todo mundo já sabe disso, só tenho achado graça de como precisamos de palavras para fazer as coisas adquirirem significados. Como se nada do que existe pudesse ser apreendido se não tivermos a capacidade de classificar, designar, dizer a que lugar pertence. Quando não sabemos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=285&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho reparado como tudo tem nome. Eu sei que provavelmente todo mundo já sabe disso, só tenho achado graça de como precisamos de palavras para fazer as coisas adquirirem significados. Como se nada do que existe pudesse ser apreendido se não tivermos a capacidade de classificar, designar, dizer a que lugar pertence. Quando não sabemos exatamente que expressão usar, falamos de algo próximo, que se pareça. É preciso descrever e categorizar para atribuir sentido.</p>
<p>Não acho que não sejamos capazes de fazer de outra forma, mas creio que pensando em como a nossa razão é construída, é, realmente não podemos; não conseguimos. Enxergamos o mundo a partir de etiquetas que pregamos em tudo quanto é objeto que vemos. Quando não conhecemos algo, ficamos sempre indo atrás do nome, e  entendemos que só depois que o descobrimos é que conseguimos construir a ideia em torno daquilo. Entendo que as pessoas precisem de nomes, palavras para se comunicar, contudo, mesmo quando falamos com nós mesmos, refletimos a partir da categoria.</p>
<p>Vez por outra, as pessoas dão nomes diferentes para falar da mesma coisa. A idéia pode ser compreendida, em maior ou menor grau, porém isto não nos impede de colocar o novo signo em nosso cérebro e, eventualmente, apropriar-se dele para o nosso vocabulário e dia-a-dia. Em um lugar desses, aqueles que não tem nome são mesmo pessoas perdidas, sem rumo.</p>
<p>Sempre penso nos tratamentos que as pessoas dispensam a mim, de acordo com o que elas sabem a respeito da minha vida (algumas pessoas). É curioso ver como tudo muda: o jeito, o discurso, a forma de me olhar ou mesmo de se aproximar. O momento em que o &#8216;clique&#8217; acontece e elas percebem que estão diante de um transexual&#8230;sempre percebo quando isso acontece. O olhar, como se, a partir daquele momento, tudo fizesse sentido. As reações são variadas, mas o olhar sempre foi o mesmo: uma mistura de surpresa com espanto, ao mesmo tempo enrolado em um monte de pontos de interrogação que parecem flutuar sobre suas cabeças. Aquele sorrisinho de canto que a gente sempre dá quando sabe algum segredo muito precioso de alguém, mas ainda não decidiu como vai usar a informação. É, acontece toda vez!</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://mcaetanoz.files.wordpress.com/2011/12/identidade.jpg?w=411&#038;h=343" alt="" width="411" height="343" /></p>
<p>Depois do olhar e sorriso que sempre me embaraçam, começa o momento das sinapses descontroladas: ficam buscando na memória, em leituras recentes, em outros amigos, tudo que sabem (ou imaginam saber) sobre transexualidade. A maioria, não sabe muita coisa, e isso já é lucro porque quase ninguém sabe mesmo é nada. Aí, começam as perguntas: como é, como faz, da onde vem e a fatídica &#8220;qual seu nome?&#8221;. Sempre respondo dizendo que é Marcelo Caetano. Elas lançam-me um olhar torto, afinal, não é disso que estão falando. É, eu sei que não era. De qualquer forma, é este o meu nome, ainda que não agrade a sua curiosidade.</p>
<p>Essa necessidade de me designar a partir do meu nome civil (que não é o nome que me define, contempla ou sequer me explica; não é nada além do nome que me constrange) me soa muito engraçada. Já foi um grande incômodo; hoje, tento fazer com que seja só uma graça. O maior problema é que, tenho certeza, as pessoas começariam a usar o nome civil, assim, aleatória e cotidianamente. Não sei se de maldade, algumas sim, outras não, ou se é só o inconsciente que é muito sacana, porém o constrangimento seria o mesmo, independente da intencionalidade do falante (não, isso não é verdade! só vou deixar esse comentário aqui para fins didáticos!). Acho muito sintomático que, após a revelação e/ou confirmação sobre a minha transexualidade, as pessoas passem a me chamar de Marcelo, mas a utilizar os pronomes pessoais, ou outras eventuais palavras, no feminino. Sério! Se qualquer pessoa disser pra você que se chama Marcelo, ninguém nunca falará nada no feminino. Qual a diferença, então?</p>
<p>Ainda não consegui explicar, mas sinto como se fosse quase uma força gravitacional, puxando tudo para o lado da &#8220;normalidade&#8221;, afinal, ser transexual &#8216;não é normal&#8217;, e precisamos ter algum controle sobre os outros, né?! Não sei em que medida é comum confundir-se em relação a isso; amigos meus que trocam as palavras quando falam comigo: nunca os vi fazendo isso com outros amigos homens nossos. Estranho, não? Fico na dúvida: faz parte das durezas de ser trans ou parte das limitações morais dos seres humanos?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/285/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=285&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Eventualmente, loucura</title>
		<link>http://mcaetanoz.wordpress.com/2011/11/27/eventualmente-loucura/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 01:24:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[pro lado de cá não tem acesso mesmo que me chamem pelo nome mesmo que admitam meu regresso toda vez que eu vou a porta some  O buraco do espelho, Arnaldo Antunes Era final de Setembro. Curitiba continuava chuvosa, mas o verão já se anunciava nos olhares e gestos das pessoas na rua. Minha cabeça [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=275&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;" align="right"><img class="aligncenter" title="Nossa Senhora da Luz" src="http://mcaetanoz.files.wordpress.com/2011/11/praca_central8_gr.jpg?w=400&#038;h=261" alt="" width="400" height="261" /></p>
<p align="right"><em>pro lado de cá não tem acesso</em><em><br />
</em><em>mesmo que me chamem pelo nome</em><em><br />
</em><em>mesmo que admitam meu regresso</em><em><br />
</em><em>toda vez que eu vou a porta some</em><em></em></p>
<p align="right"><em> </em><em>O buraco do espelho, Arnaldo Antunes</em></p>
<p align="right">
<p>Era final de Setembro. Curitiba continuava chuvosa, mas o verão já se anunciava nos olhares e gestos das pessoas na rua. Minha cabeça não funcionava muito bem: nada saía como planejado, eu não sabia exatamente o que fazer ou o que queria. Continuar na faculdade de Direito não parecia ser uma opção, mas, ao mesmo tempo, parecia ser o último fio a me conectar com a realidade; com a realidade do resto do mundo, claro, porque tudo aquilo que eu criava, imaginava, via e ouvia não deixava de ser realidade, ainda que minha, só minha.</p>
<p>Não sei precisar o dia do mês, nem mesmo da semana (embora tudo me leve a crer que era uma quarta-feira), só sei que eu estava esgotado, quase 5 dias sem dormir. Passava horas falando sem parar e outras tantas sem emitir qualquer som ou simular qualquer movimento. Segui de carro para uma emergência do SUS, sem ter certeza sobre para onde estava indo, embora absolutamente convicto de que não deveria ir, pois boa coisa não seria.</p>
<p>Eu tinha mesmo razão: por volta de 24 horas depois, eu estava passando por um portão de ferro, dirigindo-me a uma porta lateral, um tanto quanto escondida. Eu ainda não tinha consciência, mas depois me dei conta de que aquela porta era a entrada certeira para o inferno, seja lá o que essa palavra signifique. Após assinarem alguns papéis em meu nome, pediram que eu retirasse minhas correntes, anéis, deixasse para trás meu dinheiro, cigarros e aquilo que considerei o momento mais embaraçoso de todos: pediram que retirasse o cadarço dos meus tênis, afinal, ali só tinha maluco e, eventualmente, alguém poderia enforcar-se com eles. Depois, descobri o quanto era humilhante caminhar com seu tênis solto, sempre fugindo do pé, como se os caminhos lhe escapassem.</p>
<p>Cheguei em um quarto onde todas dormiam. Digo todas porque eu estava na ala feminina. Deixei claro que meu nome era Marcelo, porém, ao que tudo indica, ninguém me ouviu; caso tenham ouvido, decidiram ignorar. Senti-me o pior dos seres. Não era suficiente estar confinado e trancado, também era preciso ser lembrado, a todo momento e instante, que eu não era completo. Eles me lembravam e eu cheguei a acreditar. Não era completo mesmo, nem na hora de ser maluco eu era aquilo que dizia que era.</p>
<p>Não sei precisar quanto tempo passei ali, não sei mesmo. Os dias não podiam ser contados, não havia relógios, não havia informação. Tudo era medido pelo momento de tomar os remédios. Às vezes, eu não tinha idéia se era dia ou noite, só sabia que ainda faltavam alguns comprimidos. De qualquer forma, saí dali. Não inteiro, posto que tal feito ninguém ainda conseguiu, só saí. Se, de fato, sobrevivi, ainda não sei dizer. Tudo que sei é que escapei daquela caixa de concreto para adentrar outros labirintos, e sempre que deles quero sair a porta acaba por sumir.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/275/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=275&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Nossa Senhora da Luz</media:title>
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		<title>A pele que habito &#8211; mas que não é minha</title>
		<link>http://mcaetanoz.wordpress.com/2011/11/07/a-pele-que-habito-mas-que-nao-e-minha/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Nov 2011 19:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caê</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eu e a Transexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem, fui ao cinema assistir ao novo filme do Almodóvar, A pele que habito. Antes da sessão, havia lido uma pequena sinopse, enquanto procurava os horários; tudo que li não tinha absolutamente nada a ver com as cenas que assisti por mais de duas horas &#8211; e fico grato por isso! (e já aproveito pra [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=264&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, fui ao cinema assistir ao novo filme do Almodóvar, A pele que habito. Antes da sessão, havia lido uma pequena sinopse, enquanto procurava os horários; tudo que li não tinha absolutamente nada a ver com as cenas que assisti por mais de duas horas &#8211; e fico grato por isso! (e já aproveito pra dizer que, sim, esse post tem &#8216;spoilers&#8217;)</p>
<p>Os filmes do diretor costumam ser sensíveis, mesmo quando fortes e impactantes. Este é muito mais angustiante do que qualquer um dos outros que já assisti. Não deixa de ser sensível (Almodóvar dificilmente conseguiria não sê-lo), mas a dor e a brutalidade parecem-me muito mais explicítas. O desconforto e a agonia consegueriram superar a sensibilidade evocada.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://modaspot.abril.com.br/wp-content/galeria/a-pele-que-habito/a-pele-que-habito-03.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Pertubador. Essa palavra definiria muito bem. Apesar de não tratar da transexualidade da forma direta com que estamos acostumados (histórias, relatos e trajetórias dos sujeitos auto-identificados como transexuais e sua busca por um lugar no mundo), creio que seja o melhor filme sobre o tema. Digo isso porque ele trata de uma questão muito anterior, de forma não convencional, à qualquer tipo de transição e constituição de identidade: a dor de sentir-se preso em um corpo que não é seu!</p>
<p>Essa, na minha opinião, é a maior questão que atravessa a vida dos transexuais. Antes de qualquer processo de modificação, e aceitação, experenciamos o aprisionamento, a angústia, a dor, a agonia de se ver em uma caixa, uma pele que de maneira nenhuma é a sua. Não faz parte de quem somos, não nos constitui como indivíduos, não se relaciona com a nossa mente. Simplesmente está ali, como uma capa de chuva molhada e pesada; não vemos a hora de chegar em casa, o lugar aquecido, em que tiraremos todo aquele peso de nós e seremos quem realmente somos, sem nada nos cobrindo, sem nada nos escondendo.</p>
<p>Gostaria de saber a reação das pessoas ao sofrimento da personagem. De certa maneira, talvez indireta ou mesmo inconsciente, seria a forma com que as pessoas me enxergam, a forma com que encaram o meu próprio sofrimento, como lidam com ele, como o percebem. Ainda que, provavelmente, não façam uma relação direta (até mesmo porque não é todo mundo que tem um amigo ou conhecido transexual), aquilo que sentem com o filme deve aproximar-se daquilo que sentem, ou sentiriam, quando ouvem um relato de algum transexual sobre a questão específica do &#8220;não-corpo&#8221;.</p>
<p>A personagem principal é, na verdade, um homem que foi sequestrado e, pelas mais diversas razões, passou por um processo de mudança de gênero de forma arbitrária, sem o seu consetimento, ou mesmo seu conhecimento. No momento em que isso foi revelado no filme (a narrativa não é nada linear), imaginei que foi exatamente isso que &#8216;deus&#8217; (ou qualquer outra entidade, ser ou coisa a quem atribuímos o poder da criação) fez comigo: com requintes de crueldade e perversão, enfiou-me em uma embalagem que não corresponde, em nada, a quem eu sou, quem eu quero ser ou como me vejo.</p>
<p>Há uma cena em que ela tenta ver sua genitália, agora vagina. A cara de asco e pavor é a mesma que sinto quando vejo (ou só penso) em meus seios ou outros caracteres sexuais que me identificariam como mulher. Um sentimento de pavor; falta coragem de olhar, pois sabemos o que vamos encontrar e, pior ainda, sabemos que será terrível ter que lidar com aquilo.</p>
<p>O filme é fantástico. Recomendo a todos que assistam. Mas é triste, agoniante, melancólico, depressivo, devastador. Provavelmente, o melhor ao qual já assisti. Mesmo que tenha me provocado uma angústia incontrolável, foi um fato interessante ver, idealizado e personificado, o meu sofrimento diário, a partir de outra pessoa e de outra perspectiva. É uma ficção, sem dúvida, mas identifica-se com a realidade de muitos; com a minha, pelo menos. Estou devastado, mas estou inteiro!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mcaetanoz.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mcaetanoz.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mcaetanoz.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mcaetanoz.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/mcaetanoz.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/mcaetanoz.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/mcaetanoz.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/mcaetanoz.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mcaetanoz.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mcaetanoz.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mcaetanoz.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mcaetanoz.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mcaetanoz.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mcaetanoz.wordpress.com/264/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mcaetanoz.wordpress.com&amp;blog=14624739&amp;post=264&amp;subd=mcaetanoz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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