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O que fazer quando, simplesmente, não dá mais?

17 fev

E ficamos como um amontoado de papéis rasgados...

Eu gostaria muito de escrever um texto racional neste momento. Usar estatísticas, argumentos bem construídos, frases marcantes. Queria mesmo ser um acadêmico. Não consigo. Não enxergo as razões para que isso tenha acontecido; não sei explicar porque o mundo ainda não se explodiu. Creio mesmo que só isso resolveria as coisas. Não dá: é todo dia; a cada dia, uma notícia nova, mas que de tão corriqueira parece nem chocar mais. Eu continuo chocando-me. Transtorno-me.

Estou falando do caso de estupro ocorrido em Queimadas-PB. Várias mulheres foram oferecidas como ‘presente de aniversário’. Seus corpos foram oferecidos; seus corpos, seu sexo, sua autonomia, seus desejos, suas vontades, suas fantasias, suas limitações: eram esses os presentes. Como pode alguém achar que o corpo do outro é um presente? Aliás, permita-me uma correção: o corpo da outra. Talvez, pareça tácito, mas acho que é bom deixar claro que eram homens oferecendo o corpo de mulheres a outros homens. Na verdade, não sei se eu os categorizaria enquanto homens. Bom, talvez eles os sejam, mas, aí, se isso é que é ser homem, eu não quero mais ser um.

A opressão sobre as mulheres é estrutural, não tenho a menor dúvida sobre isso. Já está edificada sobre tantas crenças e preconceitos que alguém chega mesmo a pensar que pode dar mulheres como presente. Alguém realmente deu essas mulheres como presente. O que se passa na cabeça de uma pessoa pra achar que tem esse poder, pra achar que pode fazer isso e para, de fato, fazê-lo? Eu, que tendo a achar que é tudo construção social, só consigo me perguntar: quando foi que a humanidade quebrou? Dá pra trocar essa peça defeituosa, ou só jogando mesmo tudo fora e começando de novo? Eventualmente, vale mais a pena jogar fora e nunca mais começar outra.

Minha capacidade de compreender este caso é nula. Não entra na cabeça, não faz sentido. Mesmo que me expliquem que nossa sociedade é machista, patriarcal e opressora, eu continuo sem entender como chegamos até aqui. Alguém queria um atalho, errou o caminho e ficou com preguiça de voltar? Deve haver uma explicação, deve haver uma explicação lógica, racional, coerente. Não consigo parar de pensar, ao mesmo tempo que, quanto mais eu penso, menos encontro respostas, menos enxergo a racionalidade, a lógica que procuro insistentemente. Eu sei que nunca encontrarei, mas é a minha tentativa de encontrar motivos para continuar acreditando que o mundo ainda pode melhorar, que ainda dá pra mudar.

Estou pensando em me mudar. Vou morar em Marte. Dizem que os alienígenas são mais evoluídos e coisa e tal; lá deve ser um lugar muito mais agradável. Alguém tem casa de praia por lá? Aceito convites.

É, eu sei que este texto não informa muita coisa, não provoca grandes reflexões…eu só não sei mesmo o que dizer. Estou estático. Não sei se me indigno e me esforço mais pra transformar as coisas ou se desisto de uma vez por todas deste mundo, ou melhor, dos habitantes deste mundo. Se alguém souber o que fazer, como se portar, como resolver, como não surtar, por favor, ensine-me!

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3 Comentários

Publicado por em 17/02/2012 em Militância

 

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3 Respostas para “O que fazer quando, simplesmente, não dá mais?

  1. Fadir

    03/09/2012 at 16:23

    Craftsmen/artisans in this region are insane

     

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